Segunda-feira, 5 de Abril de 2004

Deambulações Iraquianas...

 


iraque.jpg 


Já muita tinta se gastou a escrever sobre o Iraque, as fantasias de Bush relativamente armas de destruição massiça ( ou massiva ), os dentes do Saddam, os piolhos do Saddam, as certezas de Durão Barroso, as incertezas dos soldados lá colocados, o corre corre de Blair, a tanga do Kadhafi, o excesso de petróleo e a falta de água... e agora chegou a hora de eu dissertar um pouco sobre o assunto, e que me perdoem os entendidos se acharem que eu vou dizer um sem número de disparates, mas é 2ª feira...


Saddam sabia o que fazia... Melhor do que ninguém conhecia o povo Iraquiano, e sabia como lidar com ele. De vez em quando lá gaseava uns curdos chatos na fronteira, mas afinal os americanos também lançaram napalm sobre os vietcongs e uma bombazita sobre Nagazaki e outra sobre Hiroshima, só para ver os efeitos, e ninguém se chatiou com isso...


Por essa razão, a vida no Iraque continuava como sempre, e o Pai lá ía metendo uns rebeldes debaixo da terra, amealhando uns milhõezitos em contas particulares, mas a vida ía correndo sem grandes problemas para a grande maioria dos Iraquianos, porque o Pai tratava de tudo...


O Pai já tinha apanhado no focinho, quando se tornou ganancioso... «Ora toma lá, que é para aprenderes!», disse o Pai Bush, cheio de moral. «Ficas com os teus barris, mas não te metes com os meus, hã?»


O Saddam meteu o rabo entre as pernas e procurou passar despercebido. De vez em quando lá aparecia na televisão a dar uns tiros para o ar ou a bramir uma cimitarra, mas tudo não passava de fogo de vista...


E assim se passaram uns anitos, até...


Que um dia, o filho Bush, playboy arrogante e temente a Deus, como que saído de um filme tipo "Mitos Urbanos XXI", decide que os barris que o pai deixou ao Saddam lhe faziam um jeitaço, já que de economia ele nada percebia mas fazia jus à fama de cowboy das pradarias... Só lhe faltava o motivo.


Eis que então, por obra do demónio, dá-se o 11 de Setembro... Um jeitaço para as pretensões do peturbado filho Bush, agora armado em Arcanjo Gabriel e Salvador do Mundo.


O resto da história é conhecida da grande maioria... Ouvimos falar pela 1ª vez em Bin Laden, um tipo com cara de profeta e na sua organização Al-Qaeda, um bando de terroristas tipo máquinas de morte, que viviam lá para os lados da antiga Persia. Os americanos vieram armados até aos dentes com a tecnologia mais avançada, e tiraram a tosse aos milhares de talibans barbudos que mandavam no Afeganistão, e que serviu como ensaio para o derradeiro propósito do Arcanjo: atacar a Mesopotâmia de Saddam.


Saddam fugiu para um buraco, Bush ofereceu 25 milhões para que o encontrassem, e quando o encontraram fez o que melhor sabia: não pagou ao desgraçado do informador, que neste momento deve também estar enfiado num outro buraco...


Mas o destino trocou as voltas ao filho Bush! O que ele não imaginava é que os Árabes, sem rei nem roque, eram como crianças tontas, revoltadas... Antigos ódios, que o Saddam havia sepultado nas areias de Hamurabi, renasceram das cinzas e velhas quezílias entre castas se levantaram. O feitiço virou-se contra o feiticeiro, e o Bush já não sabe o que fazer... Os seus soldados são agora alvos preferenciais destes toscos, andrajosos mas eficazes snipers.


E o sangue derramado desaparece nas areias quentes do deserto: americano, inglês... e agora português...


Para quê?!...


 

publicado por siX às 10:34
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U (E) F A...

 


carloscosta.jpg


Ufa!.. O Rio Ave empatou com o Benfica, mas bem que poderia ter ganho. Mas o futebol é assim mesmo, e o empate assegurou-nos o 6º lugar... lugar este que é motivo de discussão à mesa de qualquer café, motivado pela infeliz notícia de que o clube ficará impedido de participar nas competições europeias! Portanto, está tudo a ver o que dá e o que não dá, e a fazer contas para o próximo jogo...


Entretanto, o Carlos Costa lá vai metendo os pés pelas mãos e as mãos pelos pés, através de uma retórica muito pouco comum no futebol, senão vejamos: após achar que com uma multa tudo se resolveria, vem agora apelar aos clubes que hipotéticamente possam ocupar o lugar do Rio Ave na disputa da Taça U(E)FA caso fique no 6º lugar do campeonato, que não o façam!


Claro que este tipo de solidariedade no nosso futebol é muito comum, acontece todos os dias... e está-se mesmo a ver que aquele clube que já efectuou a inscrição atempadamente e de acordo com os regulamentos, vai ignorar isso tudo e ser solidário para com o nosso...


Puxa Carlos... estava tudo a correr tão bem, vê lá não estragues a pintura.


 

publicado por siX às 10:15
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Sábado, 3 de Abril de 2004

A Machine...

 


boton_1.jpg


Há já alguns anos, um amigo meu residente na zona da praia, entrou em parafuso devido a uma grua que se encontrava plantada em frente a sua casa, por alturas da construção das duas torres que ainda lá se encontram... Como era óbvio que tal objecto lhe causava a maior das impressões na retina, a única forma de o conseguir exorcisar foi remetê-la para uma composição musical, que ele intitulou de "A Machine", ainda hoje um dos seus temas mais queridos.


E o porquê desta introdução? Bom, costuma-se dizer que quando se vai a Nova York, para se observar a cidade é necessário olhar para o alto, para a poder ver em todo o seu esplendor. Eu nunca fui a Nova York, portanto desconheço essa realidade. Mas já estive em Nazaré, e a experiência deve ser mais ou menos idêntica: em Nazaré, ao olhar para cima, vê-se o esplendor de milhares e milhares de antenas de televisão, o que é algo surrealista...


Ontem, quando me encontrava parado na bicha para Vila do Conde e sem nada para fazer, puz-me a contar o nº de gruas que saltam à vista no enquadramento com o mar e contei, nada mais nada menos, que 9 gruas... 9 gigantes de ferro, balouçando ao sabor do vento sobre as cabeças dos vilacondenses, mas julgo até que são mais.


Quem quiser ver Vila do Conde em todo o seu esplendor, basta olhar para cima...


 

publicado por siX às 12:57
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Sexta-feira, 2 de Abril de 2004

O Cabeça Falante...

 


byrne.jpg


Para os fans do legendário homem leão tipo faz tudo na música e não só como também pintura filmes poesia teatro blabla e não sei que mais e continua a ser genial, que me pôs a cabeça a mingar enquanto o corpo lhe crescia em meados de 80, podem-se pôr a caminho para adquirir o bilhetinho para o concerto que o gigante vai dar no Coliseu do Porto no dia 4 deste mês.


Estre concerto está inserido na tournée intitulada: " My Backwards Life ". David Byrne irá apresentar temas do seu novíssimo e muito aclamado album Grown Backwards, já considerado o seu melhor registo pós Talking Heads, assim como antigos êxitos relacionados com esta banda.


Uma boa oportunidade de rever e quem sabe cantar:


"Everyone is trying to get to the bar.
The name of the bar, the bar is called Heaven.
The band in Heaven plays my favorite song.
They play it once again, they play it all night long.

Heaven is a place where nothing ever happens.
Heaven is a place where nothing ever happens."




 

publicado por siX às 10:06
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Quinta-feira, 1 de Abril de 2004

Macedo Vieira em Vila do Conde?... Será possível?...

 


PvarzimP.gif


Pois é... A agitação e o frenezim que têm afectado a sede do PS em Vila do Conde tem afinal, como fundamento, a notícia de que o Presidente da Câmara da Póvoa de Varzim vai, nas próximas eleições autárquicas, candidatar-se à presidência da Câmara de Vila do Conde. O Doutor Macedo Vieira, que nunca escondeu o carinho que sempre sentiu por Vila do Conde, afirmou na rádio Onda Viva que o seu trabalho na Póvoa de Varzim tinha terminado e que sentia ser este o momento exacto de enunciar a sua candidatura para Vila do Conde, visto o PSD local nunca ter tido um candidato que pudesse lutar em pé de igualdade com o Engº Hermenegildo de Almeida.


A ser verdade, muito sangue vai correr em Vila do Conde...


 

publicado por siX às 23:11
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"It's pronounced Sah-rah-MAH-go"

 


saramag4.jpg


Amanhã, dia 2 de Abril, José Saramago, o escritor que é visto pelos seus pares como um esteta da língua portuguesa,  vai honrar os Poveiros e Vilacondenses com a sua presença no Auditório de Póvoa de Varzim, a partir das 22.00 H... E eu vou fazer os possíveis para poder lá estar.


Saramago é uma alma sensível, dotada, e capaz de textos como este, retirado do discurso proferido quando recebeu o Prémio Nobel:


                                                                 De como a personagem foi mestre e o autor seu aprendiz </em></font></u>


 


        O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. Às quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia, Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo. 
         Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro. No Inverno, quando o frio da noite apertava ao ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para a sua cama. Debaixo das mantas grosseiras, o calor dos humanos livrava os animalzinhos do enregelamento e salvava-os de uma morte certa. Ainda que fossem gente de bom carácter, não era por primores de alma compassiva que os dois velhos assim procediam: o que os preocupava, sem sentimentalismos nem retóricas, era proteger o seu ganha-pão, com a naturalidade de quem, para manter a vida, não aprendeu a pensar mais do que o indispensável. Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de pastor, cavei muitas vezes a terra do quintal anexo à casa e cortei lenha para o lume, muitas vezes, dando voltas e voltas à grande roda de ferro que accionava a bomba, fiz subir a água do poço comunitário e a transportei ao ombro, muitas vezes, às escondidas dos guardas das searas, fui com a minha avó, também pela madrugada, munidos de ancinho, panal e corda, a recolher nos restolhos a palha solta que depois haveria de servir para a cama do gado. E algunas vezes, em noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: "José, hoje vamos dormir os dois debaixo da figueira." Havia outras duas figueiras, mas aquela, certamente por ser a maior, por ser a mais antiga, por ser a de sempre, era, para todas as pessoas da casa, a figueira. Mais ou menos por antonomásia, palavra erudita que só muitos anos depois viria a conhecer e a saber o que significava... No meio da paz nocturna, entre os ramos altos da árvore, uma estrela aparecia-me, e depois, lentamente, escondia-se por trás de uma folha, e, olhando eu noutra direcção, tal como um rio correndo em silêncio pelo céu côncavo, surgia a claridade opalescente da Via Láctea, o Caminho de Santiago, como ainda lhe chamávamos na aldeia. Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e os casos que o meu avô ia contando: lendas, aparições, assombros, episódios singulares, mortes antigas, zaragatas de pau e pedra, palavras de antepassados, um incansável rumor de memórias que me mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava. Nunca pude saber se ele se calava quando se apercebia de que eu tinha adormecido, ou se continuava a falar para não deixar em meio a resposta à pergunta que invariavelmente lhe fazia nas pausas mais demoradas que ele calculadamente metia no relato: "E depois?" Talvez repetisse as histórias para si próprio, quer fosse para não as esquecer, quer fosse para as enriquecer com peripécias novas. Naquela idade minha e naquele tempo de nós todos, nem será preciso dizer que eu imaginava que o meu avô Jerónimo era senhor de toda a ciência do mundo. Quando, à primeira luz da manhã, o canto dos pássaros me despertava, ele já não estava ali, tinha saído para o campo com os seus animais, deixando-me a dormir. Então levantava-me, dobrava a manta e, descalço (na aldeia andei sempre descalço até aos 14 anos), ainda com palhas agarradas ao cabelo, passava da parte cultivada do quintal para a outra onde se encontravam as pocilgas, ao lado da casa. Minha avó, já a pé antes do meu avô, punha-me na frente uma grande tijela de café com pedaços de pão e perguntava-me se tinha dormido bem. Se eu lhe contava algum mau sonho nascido das histórias do avô, ela sempre me tranquilizava : "Não faças caso, em sonhos não há firmeza". Pensava então que a minha avó, embora fosse também uma mulher muito sábia, não alcançava as alturas do meu avô, esse que, deitado debaixo da figueira, tendo ao lado o neto José, era capaz de pôr o universo em movimento apenas com duas palavras. Foi só muitos anos depois, quanto o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos. Outra coisa não podería significar que, estando ela sentada, uma noite, à porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: "O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer". Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolaçao da beleza revelada. Estava sentada à porta de uma casa como não creio que tenha havido alguma outra no mundo porque nela viveu gente capaz de dormir com porcos como se fossem os seus próprios filhos, gente que tinha pena de ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o meu avô Jerónimo, pastor e contador de histórias, que, ao pressentir que a morte o vinha buscar, foi despedir-se das árvores do seu quintal, uma por uma, abraçando-se a elas e chorando porque sabia que não as tornaria a ver.


Há quem veja na sua maneira de estar e sentir, as suas opções políticas, o seu viver, argumentos para o tão português bota abaixo, de mal dizer de quem tanto talento tem... Pessoas que são capazes de admirar um quadro de Dali, esquecendo-se porém que Dali, enquanto vivo, era cem vezes pior como pessoa, intratável... Dali, que se autoproclamava de Anarquista-Monárquico e que Bretton preferiu ver pelas costas... Dali, que se automutilou e cobriu de excrementos quando ia ser apresentado a Gala mas que, quando a viu, resolveu tomar um banho e mostrar-se apresentável, e ainda bem para ele...


Pessoas incapazes de reconhecer o génio que existe em Saramago, como este texto o prova: só muito poucos o conseguiriam escrever, não só pelas palavras lá contidas, mas também pela emoção que se desprende delas...


 

publicado por siX às 18:27
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Oxalá...

 


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O resultado entre Portugal-Itália deixa antever aquilo que será a participação da selecção no Europeu: um desastre... Até posso estar enganado, oxalá que sim, e a selecção faça a sua melhor participação de sempre num Europeu e até seja campeão. Mais uma vez, oxalá que sim...


Mas quando um treinador afirma que a vitória não é importante, mas sim a atitude dos jogadores, eu também acho que este tipo deve ter um neurónio a menos... ou então a mais, oxalá... Num país onde a queda de pontes é natural, é também natural que tenhamos um treinador que ache que as vitórias não são importantes! E os adeptos que achem o contrário devem ser uns anormais, como eu que não percebo nada destas coisas do futebol... oxalá...


 

publicado por siX às 11:39
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