Preciso esquecer aquilo que vi...
Nada melhor que um concerto de Jazz para certas ocasiões...
A música de Laura Fygi é potente em paisagens sonoras... e é para lá que eu vou, ao Casino da Póvoa de Varzim, deliciar-me com notas que não sejam aquelas que me desiludem...
"Quem é Arnaldo Sanfins", perguntei eu há uns posts atrás... O desconhecimento relativamente a tão ilustre personagem, espantou-me um bocado. Talvez fosse desinteresse, lá me vou habituando... pois...
Bom, Arnaldo Sanfins, para além de outras coisas, é apenas um dos propietários de vários lotes que se inserem na ROM-Reserva Ornitológica de Mindelo. É também o que dá a cara pela organização que dá pelo nome de APTAM, que significa Associação dos Propietários para o Desenvolvimento Turístico e Ambiental de Mindelo, a tal que lançou um comunicado hilariante, o qual analisámos aqui.
Bem, ontem decidi dar uma volta pela Reserva com o objectivo de respirar um pouco de ar puro e deliciar-me com a paisagem. Mal chegado, estaciono o carro e dirijo-me à entrada, cujo letreiro em vez de indicar ROM ou coisa que o valha, lê-se:

Bom, pensei, tá certo... deve ser coisa da minha imaginação...
Continuei e alguns metros à frente, deparo com isto: horror dos horrores... As imagens dispensam palavras.

Caramba, pensei. Mas a APTAM não significa também defesa ambiental? Então o tal de Arnaldo Sanfins, dono de uma série de terrenos, permite que coloquem entulho, produtos químicos e lixo neles? Deve andar distraído, só pode...
Mas o pior foi aquilo com que tropecei, e que só pode ser classificado como atentado à saúde pública. Ora vejam só:

Ossos e gorduras de animais mortos, em pleno caminho, atirados para ali para apodrecerem ao sol... Escusado será dizer que o cheiro era agoniante... No meu entender, as autoridades deviam investigar este assunto...
Mas nem tudo foi mau. Ora vejam o que encontrei:
Um gafanhoto do campo, resistente, da família dos acrídios. A sorte dele foi em eu não ser acridófago...
E fica também esta bela imagem do pinheiral em si... Que mistérios conterá?
Bom, cheguei ao fim da minha viagem. Não me quero despedir sem antes deixar este conselho aos responsáveis por estas terrinhas, beneficiadas pela Natureza e tão desprezadas pelo Homem: obrem...
No regresso a Vila do Conde, resolvi passar pela praia de Azurara, a que muitos erradamente chamam de Árvore, onde apreciei o mar da minha juventude, que tantas recordações me trás... Na volta, resolvi cortar caminho no lugar onde se encontra o antigo moinho, pois queria passar pelo lugar da Granja onde se encontra o Mosteiro dos Capuchos e a igreja de S. Francisco onde se comemoram as festas de S. Donato, patrono da gente do mar, e do qual falarei num outro post...
Ao passar sobre o Ribeiro do Alvite que desagua no Rio Ave, sou atacado por um cheiro pestilento inimaginável. Curioso, páro o carro e deparo com isto:
Do ribeiro, onde um dia cheguei a apanhar caranguejos, é isto que se vê. Um curso de detritos nojentos, negro como o coração daqueles que permitem este tipo de atentados... Ao que parece, ninguém põe cobro a isto, que é feito à luz do dia. Está tudo cego, na minha terra, é o que é...
E à luz do dia, sim... Porque os prevaricadores, conscientes da fraqueza ou incapacidade dos que pretensiosamente se dizem detentores da autoridade, já nem se incomodam em vir pela calada da noite. Querem a prova? Eis a prova:

No momento em que entrava para o carro, passa por mim este camião. Curioso, fiquei a ver o que estava a fazer. Na maior das calmas, despejou o entulho resultante de alguma obra devidamente licenciada...
Espero que estas imagens cheguem a quem de direito, que sirvam para denunciar o que durante anos andou camuflado e nos envergonha a todos... E que sirvam também para aqueles, que se dizem mais conscienciosos, que tanto aspiram a um lugar ao sol... pois esta mensagem é-lhes também dirigida.
É preciso ganhar vergonha, acabar com a demagogia balofa...
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