Sexta-feira, 11 de Junho de 2004

racHismo...

 


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Ao ler o artigo do Jornal de Notícias relativamente à acusação feita ao Comandante da Polícia Municipal de Lisboa de racista e xenófoba, devido ao parecer deste alertando para o perigo da realização de uma festa no Martim Moniz, prendendo-se pelo facto de o local ser frequentado por toxicodepentes, prostitutas e negros, fiquei admirado com a facilidade com que hoje se acusa este ou aquele, pelo simples facto da menção da cor de um indivíduo.


Quero acreditar que o infeliz Comandante se preocupou apenas com o bem estar e segurança dos habitantes da zona, concerteza também honestos negros, na volta alguns amarelos, que por ali vivem, que não o da discriminação pura e simples.


À muitos anos que Portugal procura cultivar uma imagem pluralista, de aceitação e não agressão pelo simples facto de um indivíduo ser de uma raça diferente, e quase o conseguimos, ao remeter para o esquecimento a nossa face oculta... Num país, cuja história está inequivocamente ligada ao negócio de escravos, por indivíduos orgulhosamente apelidados de negreiros que enriqueceram o país com este tipo de negócio, ainda hoje um qualquer português meio distraído com o futebol, apelida imediatamente um qualquer jogador de raça negra de "preto" caso este falhe uma jogada... Fá-lo de propósito? Não, claro que não! É o que reside no íntimo dos portugueses, a nossa herança cultural que resiste em permanecer...


Querem mais um exemplo?


Lembro uma novela portuguesa, daquelas xaropadas de partir o coração à maior das bestas, em que um ex colonialista bêbado e vagabundo, com a família desconchabada, encontra o antigo criado de raça negra ao fim de um trilião de anos... O negro era portador daquela notícia capaz de fazer chorar uma pedra. O ex colonialista, em vez de abraçar o criado, começa a dirigir-se-lhe (mais velho, note-se) como "rapaz", e este como "patrão"...


"Mas tu tens a certeza, rapaz?" ou " diz-me, rapaz" ou "Tens que te lembrar, rapaz", etc, etc.. Ou seja, o ex colonialista tratou o negro da mesma forma a que estava habituado a tratar à uns milhões de anos atrás, porque do nome nem pó...


Alguém apresentou queixa? O argumentista fê-lo de propósito ou inconscientemente? As pessoas aceitaram este tipo de diálogo sem pestanejar ou indignaram-se? Bom, eu não me lembro de alguém ter protestado, ou do argumentista ser despedido. Lembro sim o de ter comentado este aspecto à mesa do café, e a única coisa que consegui arrancar foi uma data de sorrisos...


Na África do Sul, os alvos preferenciais dos negros são os Portugueses, e ainda não li uma única notícia a acusar aquele país de racista ou xenófobo... Porquê? Pelo facto de os sul africanos terem sido alvos de segregação durante anos a fio, e nada terem aprendido com isso?


Deixemo-nos de hipocrisias. Não somos um país racista. O Comandante da Polícia apenas exprimiu a sua preocupação baseado em factos seus conhecidos.


Mas que somos um país de extremos, disso não duvido...


 

publicado por siX às 21:59
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